Não é preciso ser Matt Murdock para ver no escuro e prever os passos da concorrência.

Atualizado: 12 de Abr de 2019


Tempo bom para previsões

Você acredita na previsão do tempo? Não sei se você faz parte das estatísticas, no entanto o Google no Brasil recebe, em média, mais de 11 milhões de consultas com essas palavras-chave por mês. Interessante notar que, nos últimos 10 anos, essa procura aumentou mais de 6 vezes, passando na frente de palavras-chave como 'Chuva' e 'Sol'. (Google Trends, abaixo).

Previsões estão em alta. Pode ser que estejam acertando mais e, portanto, atraindo mais demanda, ou mesmo, em época inundada por informações, ocorra uma terceirização na tomada de decisões.

Dados demais tornam o futuro nebuloso... e aumentam a demanda por previsões



Satisfeito com o homem do tempo? Se servir de consolo, parte da culpa não é dele. Uma previsão precisa necessita de hipótese(s), modelo, dados, processamento e visualização. No Brasil faltam dados (satélites, balões, radares e estações meteorológicas).




O poder de uma boa previsão


Conseguir prever tendências com precisão pode alavancar empreendimentos, criar diferenciais competitivos ou mesmo ser o fiel da balança entre o fracasso e o sucesso na transformação de uma ideia em um serviço, produto ou negócio.

Claro que, antes de olhar para o futuro, é imprescindível conhecer e dominar o momento presente, através de informações relevantes, precisas, dentro do contexto e que agreguem para a tomada de decisão.

Boas informações servem de ponte para o futuro


Dados internos, pesquisa de mercado, sistemas de informação e feeling são ferramentas de grande utilidade quando bem gerenciadas. Conhecer o ambiente atual é condição mínima necessária para decidir os próximos passos.

Uma previsão pode mirar os próximos segundos, como um modelo preditivo de compras da Amazon, ou mesmo o longo prazo, como tendências para os próximos anos na ecologia e tecnologia. Algumas previsões:

A pegada humana no planeta terra

Em 1972, o Clube de Roma, com o propósito de olhar para a humanidade no longo prazo, publicou o relatório 'Limites do crescimento'. 12 milhões de cópias e uma conta que não fechava:

Mantidas as tendências, previa, em 100 anos, a exaustão dos recursos naturais da terra.

Foi um Deus nos acuda. Uma das previsões era de que o petróleo iria acabar logo depois da virada do milênio. Como você já deve ter constatado, a previsão não se confirmou.

Onde eles erraram?

Subestimaram o poder da Inovação e do Comportamento.

O impacto da inovação tecnológica, assim como mudanças no comportamento humano, impediram (ou retardaram, de acordo com o ponto de vista) o caos. O mundo apresentou menor crescimento populacional e maior produtividade.

A divulgação em massa de um limite para o consumo da humanidade incentivou o desenvolvimento sustentável na agenda política e econômica, com impactos positivos no uso dos recursos.


Revolução tecnológica


Em 1965, Gordon Moore, co-fundador da Intel, previu que o número de transistores dentro de um circuito integrado dobraria a cada ano. Em 1975 ajustou a taxa para 100% de aumento a cada 2 anos.

Surpreendentemente, suas previsões se provaram precisas, influenciando crescimento exponencial no poder de cálculo e capacidade de armazenamento de dispositivos eletrônicos. Como exemplo, o recálculo de uma rota do waze no IPhone 5, feito em 1 segundo hoje, se executado em um Apple ][, de 1977, demoraria 2 dias e 3 horas, ou seja, 185 mil vezes mais.

De forma inversa que na projeção anterior, ocorreu na indústria esforço enorme para que a "Lei" de Moore se mantivesse válida, demandando investimentos cada vez maiores para que a evolução tecnológica atendesse à previsão original.


Fator humano

Ambas projeções, complexas em sua natureza, possuem destinos antagônicos mas com um elemento comum: a capacidade do homem, através da criatividade e inovação, em modificar o seu próprio destino. Essa característica deve, sempre, ser levada em consideração na elaboração de um modelo de previsão.

O ser humano tem o poder de mudar o próprio destino


O poder da visualização

Técnicas de visualização são excelentes ferramentas para aprimorar previsões e enxergar lógica no aparente caos. A IBM, com o projeto five in five (5 previsões em 5 anos), em 2010 previu, acertadamente, que os deslocamentos nas cidades seriam personalizados para cada usuário, com sistemas de orientação de tráfego capazes de aprender padrões e comportamentos dos usuários, identificar congestionamentos e sugerir, on-line, trajetos.

O waze, à época com 750 mil usuários, estava longe de ser um fenômeno mundial. Em 60 meses conseguiu a proeza de aposentar guias em papel, tornando-se o oráculo padrão nos deslocamentos urbanos.

Curiosidades à parte, matéria de Folha de SP, em jan/2016, apresenta novo vício: waze-dependência.

A IBM usou a estratégia de Backcasting, ao analisar aspectos relevantes na vida das pessoas com potencial de melhora e a evolução dos fatores necessários para viabilizar esse futuro. Smartphones, mapas digitais, redes sociais e feedback já estavam na pauta do dia, só faltou integrá-los.

Outras estratégias para uma boa previsão


Ponto de inflexão. Já que o futuro é desconhecido e tende a mudar assim mesmo, como prever com mais assertividade?


1- Identificar o que é relevante

Muitas previsões falham por que quem analisa o contexto atual, não consegue distinguir o ruído do que é relevante, seja por ingenuidade ou excesso de confiança. A tendência é que, quanto mais informação tivermos à disposição, maior será a dificuldade em separar o joio do trigo.

Deve-se avaliar as variáveis efetivamente relevantes para considerar em um modelo preditivo. Malcolm Gladwell ("Blink") e Nate Silver ("O sinal e o ruído") são adeptos de filtrar poucos fatores e testar o impacto deles individualmente e em conjunto.


2- Não ignorar o fator subjetividade Outro aspecto relevante tem a ver com o feeling, a variável subjetiva na equação que não pode ser ignorada. Um modelo matemático é frio, representa apenas números. O elemento humano pondera e contextualiza.

Quanto maior a experiência e conhecimento do assunto, maiores as chances de sucesso no ajuste do modelo. Um agricultor leva em consideração o voo dos pássaros, um analista de empréstimos olha os sapatos dos solicitantes etc.


3- Pensar em cenários Na medida em que montamos cenários, nos preparamos para o imponderável. As previsões não devem, portanto, ser imutáveis, mas sim, dinâmicas, incorporando rumos e possibilidades.

Gerar cenários e respectivas probabilidades tende a auxiliar na definição de escalas de viabilidade. Uma boa previsão tende a ser originada não por apenas um único modelo, mas sim pela intercalação de vários.


4- Mente aberta Philip Tetlock, através do estudo “Superprevisões: a arte e a ciência da predição”, identificou que certas pessoas conseguiam prever com muito mais acurácia do que a média. Os superprognosticadores, assim chamados, tendem a ser mais moderados e menos ideológicos em suas opiniões.

Possuem a habilidade de pôr de lado opiniões pessoais, para se concentrar exclusivamente na busca por precisão. Como estão dispostos a mudar seus pontos de vista, são abertos a evidências apresentadas por terceiros. Essa atitude abre a mente para hipóteses e ponderações ignoradas pela maioria.


5- Focar nas perguntas, antes das respostas Descobrir as perguntas certas, o jeito certo de estruturar um problema e de desmembrá-lo em conjuntos menores, são fatores críticos de sucesso. Como elaborar um prognóstico envolve inúmeros elementos integrados, focar nas perguntas auxilia na melhor compreensão entre causa e efeito.

Perguntar muda a abordagem de afirmativa para solucionadora. Se por um lado reduz a capacidade de convencimento, por outro abre horizontes para caminhos e alternativas. Perguntas são ótimos condutores para se chegar a algum lugar.

Enxergar além de imagens

John Bramblitt, pintor de gravuras (figura abaixo), nunca havia pintado até ficar cego, aos 30 anos. Ele descobriu ser possível enxergar através do tato, usando a chamada visão háptica.


O que isso tem a ver com previsão? Cegos tardios, como Bramblitt e o personagem Matt Murdock, do seriado Demolidor (Marvel-Netflix, foto da capa), reorganizam seu sistema cognitivo e de atenção, conseguindo 'enxergar' informações relevantes, até então ignoradas pelo comportamento automático, no domínio da visão sobre os outros sentidos. Ao mudar o paradigma sensitivo, trazemos à tona elementos ou tendências com potencial de interferência nos resultados de uma previsão.

Em matéria no jornal inglês Independent, vemos análise similar sobre o motivo de beijar de olhos fechados.

Determinando os próprios limites e transformando previsões

Não existem previsões certeiras, mas sim, previsões com maior ou menor sensibilidade ao ambiente e maior ou menor aderência às distintas variáveis que empurram o presente um segundo à frente.

Nosso papel é de trabalhar, sempre, com as condições visíveis (e não visíveis), para que boas projeções possam, em breve, transformar-se em realidade.


Em Inteligência Competitiva, a capacidade de prever com precisão contribui para gerar vantagens competitivas que reduzem riscos, aumentam a eficácia de ações go-to-market e geram barreiras de entrada para concorrentes seguidores de tendências.

E sua empresa, como está a capacidade de prever os movimentos do mercado e se antecipar à concorrência?


Grato pela leitura e seja sempre bem vindo(a)!

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